junho 14, 2003

Tradução Livre !!

Tradução Livre !!

Eu recebi esta mensagem em inglês via email, através de uma amiga.
Achei que era demasiado importante, dado que expressava em concreto tudo aquilo que penso sobre o sucedido no Iraque.
Agora fiz uma tradução livre desse texto. Serve também para que eu conseguisse atingir todo o objectivo do mesmo.

Tradução livre por Rui Nunes (sadangel@netcabo.pt) do texto publicado por Joan Chittister, OSB a 05/29/03

"Is There Anything That Matters?"

[A irmã Benedita de Erie, Irmã Joan é uma autora best-seller e uma bem conhecida oradora internacional. Ela é a fundadora e directora executiva da Benetvision: Um Centro de Recursos e Pesquisa para a Espiritualidade Contemporânea, e anterior presidente da Conferência Americana das Prioras Beneditas e a Conferência Dirigente das Mulheres Religiosas. A Irmã Joan tem sido reconhecida por universidades e organizações nacionais pelo seu trabalho pela justiça, paz e igualdade para as mulheres na Igreja e na sociedade. Ela é um membro activo do Concelho Internacional pela Paz.]

Isto é o que eu não entendo: De repente nada parece importar.

Primeiro, eles dizem que queriam Bin Laden "dead or alive". Mas eles não o apanharam. Agora dizem-nos que não importa. A nossa missão é mais importante que um só homem.

Depois disseram que queriam Saddam Hussein, "dead or alive". Aparentemente ele está vivo mas nós também não o temos por enquanto. No entanto, o Presidente Bush disse aos repórteres recentemente, "Não interessa. A nossa missão é mais importante que um só homem".

Finalmente, eles disseram-nos que estávamos a invadir o Iraque para destruir armas de destruição maciça. Agora dizem-nos que essas armas provavelmente não existem. Talvez nunca tenham existido. Aparentemente isso não interessa também.

Excepto que isso interessa.

Eu sei que não é suposto nós dizermos isso. Eu sei que é chamado "unpatriotic".

Mas também é chamado honestidade. E desonestidade importa.

Importa que a infra-estrutura de uma nação estrangeira, que não se podia defender de nós tenha sido destruída na base de que era uma ameaça militar para o mundo.

Importa que tenha sido destruída por nós segundo a nova doutrina de "guerra pré-premonitiva" quando não existe, aparentemente, nada pre-premonitivo.

Certamente importa, para os familiares de quem os filhos e filhas foram para a guerra para fazer o mundo mais seguro do perigo das armas de destruição maciça e nunca mais virão para casa.

Importa para as famílias nos Estados Unidos, a quem foram cancelados os programas de apoio social, a quem a segurança social foi esgotada, a quem os selos de comida foram cancelados, a quem os programas de apoio diário foram eliminados, para que fosse possível gastar o dinheiro em mandar um exército para fazer aquilo que não era necessário fazer.

Importa para a menina Iraquiana, cuja face foi queimada por uma lâmpada que foi derrubada, resultado de um bombardeamento americano.

Importa para Ali, o menino Iraquiano que perdeu a sua família - e ambos os braços - num ataque aéreo americano.

Importa para o povo de Bagdad cujas reservas de água são agora fétidas, cuja electricidade deixou de existir, cujas ruas se tornaram inseguras, cujos 158 edifícios governamentais e todos os seus registos foram destruídos, cuja herança cultural e sistema social foi pilhado e cujas cidades se manifestam em protestos anti-Americanos.

Importa que o povo que nós dizemos que foi "libertado" não se sinta libertado no que diz respeito ao clima de ilegalidade, destruição e todo um sofrimento social que a dita libertação criou.

Importa para as Nações Unidas cuja integridade foi impugnada, cuja autoridade foi negada, cujas equipas de inspecção estão mesmo agora a ser menosprezadas no processo de avaliação técnica e desarmamento.

Importa para a reputação dos Estados Unidos aos olhos do mundo, tanto agora como nas gerações vindouras, muito possivelmente.

E seguramente importa para a integridade desta nação, no que diz respeito ao facto das suas agências de angariação de informação possuírem verdadeira inteligência ou não, antes de lançarmos uma armada militar apenas no que eles dizem ou informam.

E deveria importar saber se o nosso governo é incompetente e não sabem o que fazem ou, se por outro lado são desonestos e recusam dize-lo. A verdade oculta é que fomos mal guiados enquanto povo ou fomos enganados acerca da verdadeira razão desta guerra. Ou nós cometemos um enorme - e imperdoável - erro, ou um erro arrogante ou ignorante, ou nós estamos a disparar para todo o mundo como um gigante cego, enquanto o resto do mundo assiste em terror ou em ridículo.

Se a definição de Bill Clinton e dos seus "assuntos" interessam, então isto, com certeza interessa. Se a vida sexual do presidente importa, certamente o uso de força global por parte do presidente em alguns dos povos mais fracos do mundo, importa com certeza. Se a palavra do presidente em tribunal acerca de uma indiscrição pessoal interessa, certamente a palavra do presidente para a comunidade de nações e a segurança de milhões de pessoas interessa.

E se não, porque não? Se não, certamente existe algo muito mal connosco enquanto cidadãos, pessoas que pensam, Cristãos assim como deve haver com algumas facetas do governo. Se guerras que o publico diz que eram erradas ontem - como cerca de 70% dos cidadãos norte-americanos disseram antes do ataque ao Iraque - subitamente se tornam "certas" assim que a primeira bomba cai, que tipo de moralidade nacional é essa?

Do que é que somos mesmo capazes como nação, se considerarmos julgamentos e opiniões de políticos e povos de todo o mundo como se nada fossem para nós como povo?

Qual é a profundidade da alma Americana se deixarmos que a destruição seja feita em nosso nome e em nome da "libertação" e nunca sequer pedir contas dos seus custos, ambos pessoais e públicos, quando acabar?

Nós buscamos conforto na noção que as pessoas fazem uma distinção entre o nosso governo e nós próprios. Nós gostamos de dizer que o povo do mundo adora os Americanos, eles simplesmente não confiam no nosso governo. Mas escorar num governo distante e anónimo, pela destruição incomensurável de uma nação na pretensão do bem, requer muito pouco, tanto de carácter como de inteligência.

O que pode ainda contar muito mais, no entanto, é que nós podemos ser aqueles que os Provérbios nos avisaram quando nos lembraram que: "Reis têm prazer em lábios honestos; eles valorizam aquele que fala a verdade." O ponto é claro: Se o povo fala e o rei não ouve, há algo errado com o rei. Se o rei age precipitadamente e o povo não diz nada, há algo de errado com o povo.

É capaz de já ser tempo para nós compreendermos que num país que se orgulha de ser democrático, nós somos o nosso governo. E o resto do mundo está a compreender isso mesmo muito rápido.

De onde eu me encontro, isso interessa.

Publicado por sadangel em junho 14, 2003 10:18 AM
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