novembro 01, 2002

Tabus, Medos e Mentalidade Tolhida

Tabus, Medos e Mentalidade Tolhida ::::....

Estas tendências de passar de pai para filho experiências de educação e de se ter mais em conta o que a sociedade pensa, doque no que é realmente melhor para as pessoas de quem gostamos é algo que me deixa num estado de amargura e de tristeza. Principalmente porque é algo tão enraízado na cultura de um povo que qualquer atitude que se tome é considerado quase um sacrilégio e um atentado à boa união familiar. Mais, normalmente esta linha de decisão familiar vem acompanhada com uma mentalidade restricta e prisioneira de um tempo passado ao qual se agarram qual tábua de salvação.

Consequências prácticas desta situação:
Primeiro tornam a vida dos seus filhos e das pessoas que os rodeiam mais infeliz e reprimida, influenciando mesmo a um estado de latência de problemas sérios psicológicos. Sim porque crescer no meio da repressão, tabus e tendo em atenção ao que o vizinho possa pensar, deixa qualquer um com sérias dúvidas da sorte que teve em nascer.
Depois temos a situação de "Se eu não tive, também não podes ter" de egoísmo puro, disfarçado de nobreza de carácter e de linha de educação rígida e apregoadora por parte dos progenitores que não concebem como os seus filhos podem fazer aquilo que na altura deles lhes foi vedado.

Isto com pessoas que vivem e trabalham em grandes cidades cosmopolitas e ditas civilizadas como Lisboa, por exemplo. Mas são pessoas do interior do País, das aldeias incólumes ao tempo. Lá na cidade aproveitam as oportunidades de emprego, a boa vida, os pequenos luxos, o modo de viver, mas só até onde lhes convém, porque a prole, essa tem de se cingir pelas leis e maneiras da aldeia recôndita e secular. Crianças que vivem e constatam todos os dias nas escolas colegas que têm outra maneira de viver. Onde nas escolas lhes é dado a conhecer a verdade sobre muitos aspectos da vida. A televisão que faz propaganda do políticamente correcto. Logo, constatam a sua dura realidade muito antes do que os seus próprios progenitores tiveram oportunidade no seu tempo.

Daí a maior taxa de suícidio. A maior taxa de ingressão na droga, a maior taxa de parrícidio, a maior taxa de abandono do lar em idade infantil. Porque já não dá para aguentar aquele modo de pensar sem consequências graves.
Os pais, esses, mesmo depois do sucedido ainda acreditam que foi a sociedade criminosa e cruel que fez com que os seus filhos se desviassem do "bom" caminho. Porque o caminho do bem são eles que sabem. Já se esqueceram que eles próprios cometeram erros e que foram os mesmos que os fizeram o que são hoje. O quererem criar filhos perfeitos numa imagem idealizada por eles é uma maior utopia que esperar que o Mundo volte a ser o que era, antes da era da informação.

Mas a questão é que se formos agora avisa-los sobre isto antes que suceda algo mais grave, somos apelidados de liberal, valdevinos e de pessoa do Diabo. Alguém que tenta desestabilizar a união familiar e imediatamente armam barreiras intransponíveis.

O meu pensamento vai para as crianças que neste momento vivem esta realidade, como eu já vivi.

Publicado por sadangel em novembro 1, 2002 01:08 PM
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