setembro 23, 2003

Festa Nupcial Depravada (I de III)


Vou começar hoje um ciclo de 3 posts, 1 por dia, sobre este fim de semana absolutamente depravado que passei lá para os lados da Guarda. Numa das encostas da mítica Serra da Estrela.

Primeiro que tudo deixem-me elucidar que fui convidado pelo noivo da Despedida de Solteiro, referida anteriormente, para o seu casamento nesse fim de semana, na sua terra de nascença. Tenho agora, depois de pensar nisso, uma "leve" suspeita que foi motivada pelo seu desejo de me trucidar depois de ter tornado pública a nossa saída àquele lugar "santo" em Sintra.

Mas, voltemos à descrição dos factos. Saí de Lisboa na sexta-feira, por volta das 22:30h depois de quase 2 horas à espera no parque de estacionamento do McDonalds da auto-estrada. Digamos que já tinha algumas raízes a nascer-me do cú enquanto estava sentado no meu carro.

Ia com duas famílias que também tinham sido convidadas. Vou chama-las de família A e família B para melhor clareza.

A família A era liderada pelo Caracol, um senhor atinado e sem uma pitada de maldade no corpo. Adora ir à missa todos os dias e protocolos de casamentos e baptizados. A sua esposa é a “Tá-se” que me parece ser descendente de um polvo tal é a maneira como controla os rebentos que fogem em todas as direcções. Os rebentos são formados pela Ranhoca que é a que tem o nariz mais ranhoso da casa, a Pavarotti com o seu peluche de um pónei e a Goelas que enjoa nas curvas da estrada.

A família B era liderada pelo Barbichas, um rapaz que adora chegar atrasado aos compromissos e que não pode passar sem a pílula... ou seria a sua esposa D. Fixe? Depois vêm as filhotas: Diva que gosta de ouvir as Divas como não podia deixar de ser e a Dorminhoca que não gosta nada de ficar com sono e não poder dormir na sua cama.

Assim são as famílias com as quais iniciei viagem rumo a Aveiro onde pernoitaríamos para partir para a Guarda de manhã cedo. Não sei com que artes, o fizeram, mas penso que me drogaram a Coca-Cola que engoli enquanto “marfava” um hambúrguer todo ressequido. Só isso explica o facto de ter aceitado deixar o meu carro ali no estacionamento e ir com eles num dos seus carros. Sim, porque o pior estava para vir.

Mal tinha começado a viagem, estava no carro da família A, no lugar da filha mais velha que passou para o carro da família B. Já tudo fazia parte do plano magistral elaborado por aquelas mentes sádicas. Fiquei assim retido no mesmo carro que a diabólica Pavarotti e a Ranhoca. Ai, que dói muito quando penso nisso.
A Pavarotti é literalmente, uma estação de rádio infantil humana. Ela passou 99,6% da viagem a cantar em altos gritos todas as músicas infantis de que se recorda. E acreditem quando digo que ela tem um arquivo monumental na sua pequena cabeça. Uma cantora de ópera pequenina.
A Ranhoca olhava para mim da sua cadeirinha adaptada, nos seus 3 aninhos, com um sorriso malévolo que entendi querer dizer: “Coitadinho, mal sabe onde caiu. Vai chegar ao fim da viagem a trepar pelas janelas.”
Isto não está muito longe da verdade.

Chegámos na estação de abastecimento de Nazaré. Quis logo saltar da viatura ainda em movimento, mas tinha as portas fechadas atrás. Arrrggghhhh... Socorro!! Barbichas, vendo o meu desespero, veio salvar-me abrindo a porta de trás, enquanto Caracol atestava a carrinha.
Fomos até ao café e enquanto me distraiam com conversas de estrada, surgiu um extra-terrestre na minha frente. Não, não estou a exagerar. Era um tipo que parecia saído de um filme de David Lynch. Tinha um penteado de cabelo que parecia uma mistura entre um penico e um piaçá (para quem não sabe é aquela escova que costuma estar ao lado das retretes). Raios parta o tipo! Fiquei assustado o resto da noite só a pensar nisso.
Do lado de fora, mesmo junto à porta estava um carro parado com um tipo a fingir que dormia. Ele bem se esforçava ao babar pelos cantos da boca e tombando a cabeça para todos os lados, mas ele não me enganava. Fazia parte de um complot.

Seguimos viagem e não demorou muito a chegarmos perto de Aveiro. Iríamos ficar em casa dos pais de Caracol. Mas estava tudo escuro naquela aldeia. Não se via vivalma. Lógico que devem ter colocado soporíferos em todos eles. Mas ainda faltava comprar as pílulas. Não me perguntem porquê, mas parece que era caso de vida ou morte. Assim, lá fomos numa terrinha pequenina no litoral de Portugal às tantas da noite tentar encontrar uma farmácia de serviço. Não foi fácil, mas lá chegámos à Farmácia Leite (nome sugestivo). Agora imaginem a cara do farmacêutico ao atender àquela hora da noite, três tipos para comprar pílulas anticoncepcionais.

Lá voltámos para casa e ainda deu para petiscar alguma coisa. Não sem sermos vigiados pela benjamim do grupo. A Ranhoca surgiu do nada e ficou a espiar-nos com olhos bem atentos.

Nota para terminar: Há dois Pavarottis potenciais na família A.

Publicado por sadangel em setembro 23, 2003 02:11 PM
Comentários

Devias ter visto o homem da conspiração..

Ele falou desse fim de semana malévolo :)

Afixado por: MrQuentin em setembro 24, 2003 05:12 PM

despedida de solteiro é perigooooso.
ainda mais quando você não é solteiro.
haha;
beijoca.

Afixado por: erika em setembro 24, 2003 04:20 AM

Rui, tu és ótimo. Dei boas risadas com a 1º parte da narrativa sobre o teu final de semana. Agora entendi porque ficaste sem postar ontem; estavas te recuperando. Estou louca para ver o resto da história. Tenho uma filha de 5 anos e sei o que é quando elas resolvem "presentear" nossos ouvidos com todas aquelas músicas infantis.Beijos

Afixado por: Adriana em setembro 23, 2003 03:14 PM