setembro 24, 2003

Festa Nupcial Depravada (II de III)


Para entender, é preciso ler o post anterior. Obrigado!

Continuemos a descrição do fim de semana. Hoje será o dia de Sábado. O dia da celebração eucarística do sacramento matrimonial. Ehehehe... Adoro estas expressões religiosas. Até parece que é algo muito importante.

Mas enfim... começou logo muito bem com o Barbichas a deitar a porta do meu quarto abaixo, como se a casa estivesse a arder. Ansioso por se pôr ao caminho. Ele não quis dizer, mas acho que estava com pressa de sair dali porque tinha limpo o sardão nos cortinados do quarto e estava com medo que o Caracol desse conta e o fizesse limpar.

Mas ainda deu para assaltar o jardim de nespereiras, ameixeiras e figueiras. Foi fixe comer logo directamente das árvores. Mas o Barbichas estava cheio de pressa e pôs-nos a correr à frente dele até à pastelaria mais próxima para tomar um pequeno almoço mais consistente. Nem queiram saber como ficou o pasteleiro quando viu entrar aquela trupe pelo estabelecimento. Mudou de cor 3 vezes.
A “Tá-se” e a “Fixe” desataram a emitir os pedidos de pequeno almoço para todos e o homenzinho teve que pedir 2 vezes que abrandassem para tomar nota. Já suava e ainda nem sequer tinha começado. Devia ser o dia mais movimentado em 5 anos. Ele até deveria colocar uma marca no calendário depois de sairmos.

Os rebentos andavam loucos de um lado para o outro. Completamente insanos. Os poucos clientes àquela hora fugiram apavorados para se enfiarem debaixo das camas. Até a bola de um desodorizante serviu para a brincadeira. Pelo menos deu para eu ver as pernas a uma tipa que lá estava, quando a bola ficou debaixo da mesa dela. Deviam ver a minha cara quando vi a quantidade de pêlo que ela tinha nas pernas. Tinha mais do que eu e para quem me conhece, está tudo dito.

Bem, depois destas peripécias matinais lá seguimos em direcção à Guarda. Fora algumas ultrapassagens amalucadas que nos fizeram na IP5, até que não correu lá muito mal. Sobrevivi. Mas eis que ao chegar às curvas da Guarda, a Goelas não aguentou e desatou a “gregoriar” (vomitar) dentro do carro da família B.
Saía vómito até pelas janelas. Claro que a Pavarotti aproveitou logo para subir para o capot do carro e gritar mais uma cançoneta! A Ranhoca só se ria na sua cadeirinha de bebé.

Com tudo isto, o Barbichas desesperava porque queria por tudo chegar antes da noiva. Acho que a intenção era mesmo de desposar o noivo. Um recurso de última hora. Paixões reprimidas... sabem como é!!
Já o Caracol estava pouco se borrifando para essa cena e tava na dele. Ou seja, ou 8 ou 80. Como é óbvio o único são era eu como não podia deixar de ser.

Mas lá seguimos viagem e lá chegámos à pensão de Turismo Rural onde ficámos. Um espanto de local. Fiquei boquiaberto quando vi as condições. Depois pensei que os pobres proprietários nem sabiam a quem tinham alugado os quartos. Antes da nossa ida embora, com certeza já teríamos destruído tudo totalmente.

Mas foi tudo a correr para os quartos para tomarem um duche, vestirem as fatiotas e prepararem-se para o evento. Mer**... esqueci-me da gillete e da espuma e não podia fazer a barba. Sim, porque sou um “menino” e a minha pele não aguenta uma sessão à Crocodile Dundee.

A muito custo lá foram todos se concentrando em volta dos carros e lá seguimos em direcção ao casamento. Eu ia no carro da família B, agora para poder usufruir daquele aroma a azedo do vómito da Goelas. Que simpáticos!! J

Lá fomos a fazer rallie até à igreja em Famalicão. Parece que era num antigo Convento que ardeu com o fogo. Enfim, andámos sempre a abrir pelas ruas estreitas da vila e todos pensaram que era uma invasão espanhola para conquistar Portugal de novo.
Lá perguntámos onde era o convento e uma rapariga tossiu umas indicações com o fumo que trazíamos na traseira.

Arrancámos a fundo e chegámos ao pelotão que seguia a noiva até à igreja. Com a confusão apitámos e tentámos ultrapassar todos. Qual não é o espanto quando percebemos que a noiva estava ali naquele jipe ao nosso lado?
Ela esboçou um sorriso simpático, mas devia estar a pensar: “Esta gente é mesmo doida. Ainda pensam que estão em Lisboa a cortar atalhos.”
Mas lá chegámos ao estacionamento e corremos um sprint até à bendita Igreja.
O pessoal achou que pertencíamos ao séquito pastoral. J

Mas finalmente conseguimos o objectivo primordial. Chegar a tempo de ver a noiva a entrar pela alameda de flores e poder chamar ao noivo Palhaço e Esticadinho lá de trás de uns assistentes. Eu já devia imaginar. Só podia ser para massacrar o rapazinho que suava no seu fato apertado. Acho que ele usava um corpete por debaixo da roupa. Isso e lingerie feminina, para ficar assim tão aprumadinho e esticado.

Mas lá começou a cerimónia e aproveitei para bazar dali. Fiquei lá fora com a maior parte do pessoal junto a uma fonte de água. Sempre estava mais fresco e escapava à parte em que o acólito vinha com o cestinho pedir esmola. Pedinchas!!

Mas logo chegou na melhor parte. Aquela em que os noivos levam com sacas de 50 quilos de arroz em cima. A “Tá-se” municiou logo a Ranhocas com uma mão cheia de arroz. Já o Barbichas procurou por ali um paralelo de pedra, mas não teve sorte.

Primeiro tiveram que andar ao passo e ordem de um tipo munido de uma máquina fotográfica que fingia que era um profissional de moda. Pose para aqui, pose para ali. Agora um beijo ali e outro acolá. Uma sessão de sexo explícito ali e outra ac.... oops, lá estou eu a divagar!
Mas o tipo era deveras irritante.
Assim que os meninos puseram o pé fora do pórtico da igreja foram autenticamente fusilados com toneladas de arroz e pétalas de flores. O noivo “Esticadinho” ficou com metade colado no cabelo empastado em gel. Parecia uma canja de galinha com água de rosas. A noiva “Bonitona” ficou com o peito do dobro do tamanho com o arroz que levou no decote.
Mas alguém se esquecera de um pobre idoso numa cadeira de rodas que ficou literalmente soterrado num monte de arroz. Só se via a mão dele implorando por auxílio. Valeu-lhe um puto que lhe deu uma palhinha para respirar.

Depois foi a cena do bolo e do champagne. As primeiras bebidas do dia que se previa longo. Até tiveram direito a um “penetra” que se chegou ao pessoal para ver se conseguia uns copos grátis.

Não havia chance. Tínhamos de chegar ao pouso final, senão a festa ficaria por ali. Assim lá fomos em procissão para o local do copo de água onde se iria fornecer os comes-e-bebes da praxe. Com tanto apito, devemos ter sido ouvidos no País vizinho que ficava logo ali na esquina.

Lá chegámos à Quinta onde iria se dar a festa da bebedeira. Primeiro foi conseguir colocar todas as mulheres de salto alto em piso fixo, porque a maior parte enterrava-se na areia do descampado onde se estacionou. Parecia pântano do amazonas para elas. J
Depois foi a cena dos petiscos para enganar a fome e a habitual sessão de fotos. Os noivos ao fim das primeiras quinhentas fotografias ficaram com caimbras no rosto e pareciam o Joker do filme do Batman. Precisavam de umas massagens estilo Mike Tyson vs Lenox Lewis.

Agora vinha a tortura principal do dia. Saber onde sentar. É quando se dá a guerra habitual. Toda a gente quer ficar sentada ao lado da gaja mais boazona do local. Diga-se de passagem que parecia só haver uma “solteira” que parecia valer a pena, mas tinha um ar de tia que doía. Por isso fiquei na mesa dos solteiros com boa disposição. Devo confessar que foi uma noite bem passada com histórias e anedotas bem humoradas. Muito por culpa do “Levanta-te e Ri” que estava na nossa mesa. Uma curte! Ele dava para colocar todos a rir.

Fui assaltado por uma equipa de mercenários armados de comida e fui “enchido” com várias ementas até deitar por fora. Bem dizia o “Esticadinho” que na Guarda é comer até fartar. Bolas!!
Mas o melhor ainda estava por vir. De repente comecei a ver os homens todos a levantarem-se e a chamarem os restantes. Eu fui um deles. Eu já desconfiava que seria para fazer a praxe ao noivo, mas não desconfiava do que viria pela frente...
À força, o noivo foi levado até uma casa de banho mais afastada e começou a ser despido sem cerimónias. Aí eu fiquei meio desconfiado. Será que era para entrar numa suruba bichona? Se era eu estava já à procura da janela mais próxima para pular na hora. Mas a coisa ainda não tinha tomado contornos perigosos.
Assim ele foi todo despido e ameaçado de levar uma raspagem geral. Ou seja, rapar todos os pelinhos que tem pela frente. Nas bolas e tudo. Medo!!
Ter uma data de marmanjões bêbados e broncos a mexerem nas bolas já é perigoso e “abichanado”, mas armados de gillete.... ainda bem que não sou eu o noivo! Porraaaaa...
Mas logo chega a 2ª parte da brincadeira. O vestido de noiva. Afinal eles iriam trocar de vestimenta.
Não imaginam a cena mais divertida que se pode imaginar. Uma noivinha com pêlo na cara e um noivo baixinho e de maquilhado. Hilário!!
Houve direito a abertura de baile naquelas condições e tudo.

E bueno, pouco mais se passou além disso, a não ser shots e coisas assim, mas isso já seria prolongar-me. J
Amanhã tem a última parte desta história depravada.

Publicado por sadangel em setembro 24, 2003 06:34 PM
Comentários

Hey I really like your site.

business grants

Afixado por: business grants em julho 15, 2004 03:24 PM

Hummm, que saudades!!!! Quer dizer que seu amigo vai se casar é? Então depois passe lá no Encaixe que tem um presente pra ele... mas terei de mandar por vc... Que perigo!!! Topa? rs
Beijos e lambidas...

Afixado por: Bem Assanhadinha em setembro 25, 2003 06:06 AM

lol, tah bom sim, kero ver agora é o fim da historia! :)

Afixado por: fUzE em setembro 25, 2003 01:43 AM

Estou curiosa para ver o desfecho. Tenho me divertido com essa narrativa!!Beijos

Afixado por: Adriana em setembro 24, 2003 08:14 PM

Postei no blog hoje uma foto depravada.
De uma coisa que você gosta muito e que me pediu há um tempo atrás e eu não mandei.
No final das contas, tem uma foto no blog e outra maior no Fotolog.
Espero que goste.
Beijos.

Afixado por: Musa Louca em setembro 24, 2003 07:33 PM

Oi gatinho to na correia mas feliz que vc tem voltado ao meu blog
Sabe que adoro vc ne

Smackk Alê

Afixado por: Alessandra em setembro 24, 2003 07:07 PM